segunda-feira, 27 de abril de 2026

De tempo em tempo

De tempo em tempo, a vida nos atravessa com surpresas, daquelas que roubam o sono, que fazem o coração tropeçar no próprio ritmo, que acendem borboletas no estômago e deixam o mundo mais leve… mais bonito de ver. 

De tempo em tempo, a vida nos presenteia com encontros assim: a gente abre com cuidado, se encanta, se envolve e, sem perceber, já está ali, inteiro, entregue, querendo sempre mais. 

Eu queria ser a tua surpresa, mas daquelas que não se desfazem. Queria ser descoberta devagar, sentida aos poucos, guardada com carinho. 

Queria ficar no instante em que teus olhos ainda brilham ao me ver, no toque que ainda arrepia, na vontade que não cansa. Queria ser o teu querer que permanece. E, mais do que tudo, queria poder te viver sem pressa de acabar.


sam.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

entre confetes e sonhos

carnafoi
carnavem
carnaval

te sonhei por cinco dias ininterruptos.
sonhei que a vida te traria num carnaval,
numa rua qualquer,
naquela esquina escura debaixo da chuva.

te sonho a vida inteira.

sonhei que a vida te traria
fantasiada de amor da minha vida.
sonhei com a gente.
sonhei com aquela chuva.

sonhei que os carnavais seriam mais alegres
por serem partilhados com você.
que as quartas-feiras de cinzas seriam mais serenas
e que voltar à rotina não pesaria tanto.

te sonhei por cinco dias ininterruptos,
na minha cama,
com meu cobertor.

te sonhei —
e talvez eu continue te sonhando
até o dia em que a vida resolva
te colocar, enfim,
na mesma rua que a minha.
Ao som de João - Bola

sam.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Vez ou outra

Vez ou outra a gente esbarra com gente como a gente.
Vez ou outra a gente esbarra com gente 
que sempre sonhou em encontrar. 
Vez ou outra a gente se apaixona da noite pro dia.
Mas isso só vez ou outra.


Vez ou outra a gente reencontra as borboletas 

que estavam descansando.
Vez ou outra a gente tem o prazer de varar madrugadas 

com trocas que a gente nem imaginava viver.


Vez ou outra a gente se encanta por um sorriso,
por um toque,
por uma alma.
Mas isso só vez ou outra.


Vez ou outra a gente sonha.
Vez ou outra a gente realiza.

Vez ou outra a vida nos prega uma peça
e nos apresenta algo que parecia certo demais
pra durar tão pouco.

E mesmo assim, sorrimos — por ter existido.

Porque vez ou outra, a vida passa pela gente do jeito 

que precisava passar, mesmo sem ficar.


Ao som de Medo Bom - Zimbra


sam.