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quinta-feira, maio 22, 2014

Cartas II

Oi, estranho. Hoje não faz frio, pelo contrário, o calor quase chega a queimar. Hoje me faz companhia apenas a velha solidão. Uns papéis úmidos de lágrimas, e alguns anúncios que tento fazer. Essa é a segunda carta, ou seria mais algum tipo de procura, pra mim.   


Vou pinchar nos muros, colar nos postes: procura-se um coração livre. Onde se possa alojar sensíveis sentimentos. Procura-se um coração esperto, não muito frágil, que tenha um bom espaço. Procura-se um abrigo em um peito qualquer. Repito: procura-se um coração livre. Vou criar panfletos, colocar em jornais, divulgar em toda e qualquer massa de comunicação. Qualquer ajuda é valida. A recompensa também é muito valida. Exijo que apenas esteja livre, livre para receber, livre para doar. Livre para viver. Apenas um coração sem cicatrizes de amores passados, um coração sem lágrimas derramando, sem amargura, um coração sem gelo por dentro. Um coração que consiga transmitir um calor que chegue a queimar, os ambos corações. Um coração que possa fazer o outro crescer, e crescer junto com esse outro. Um coração que caiba amor, que caiba vidas, que caiba todo e qualquer sentimento bom que há de existir. Procura-se um coração livre. Repito: a recompensa é bem valida.

S.

domingo, maio 11, 2014

Cartas I

Oi, estranho. A data não importa, muito menos o lugar de onde escrevo. Saiba apenas que faz frio, dentro e fora. E que apenas alguns papeis rabiscados, canetas falhando e uma música de fundo me fazem companhia. São bilhetes, cartas ou apenas um amontoado de palavras que preciso deixar sair de dentro de mim. Fragmentos de uma vida, ou do resto dela. Ou talvez de um começo. E essa é a primeira carta. Pra mim.

Palavras...

Apenas respire. Deixe as lágrimas lavarem o que te corrói. Faça dos seus braços o seu abraço. Do teu colo o teu aconchego. E continue respirando. Siga em frente, sozinha, sem nada, mas siga. Em frente. Em frente há mistérios, há perigos, há surpresas. Há centenas de formas de você descobrir a felicidade. Há centenas de formas de você conseguir se (re)descobrir. Mas continue respirando, é isso que mantém você viva. Respire. Inspire. Tente viver. Não deixe seu coração congelar, ou os sentimentos diminuírem, ou você ser menos você. Se mantenha de pé, e siga em frente. Faça de você sua moradia, não permita os pesadelos entrarem, deixe apenas os sonhos te fazerem companhia e se tornarem realidade. Junto com você. Respire. Viva. Enquanto há tempo.

S.